NBA se converte em plataforma para produtos e negócios no Brasil

As finais da National Basketball League (NBA), a liga profissional de basquete masculino dos Estados Unidos, aproximam-se de seu grande desfecho em 2024. A menos que uma zebra história (e nunca antes verificada na história da competição) ocorra, o Boston Celtics caminha para se sagrar campeão diante do Dallas Mavericks, alcançando seu 18º título e voltando a estar à frente do arquirrival Los Angeles Lakers, que possui 17 troféus.

A equipe da Nova Inglaterra abriu 3 a 0 na decisão e tem condições de liquidar fatura na noite desta sexta-feira (14), na partida que será realizada no Texas, às 21h30 (horário de Brasília). Jamais um time conseguiu reverter essa vantagem, nos play-offs ou numa final, desde que a NBA foi fundada, há 78 anos, ainda com o nome de BAA. Mas tabus existem para ser quebrados e esse sentimento do imponderável mexe com os torcedores, inclusive fora dos Estados Unidos.

A NBA sabe, como poucas competições esportivas no planeta, como transformar essa relação com os fãs em oportunidades para lá de rentáveis.

O NBA Park Gramado, no Rio Grande do Sul, é uma das muitas iniciativas da organização no país. Um exemplo de que, nos últimos anos, a liga se converteu em uma grande plataforma para o lançamento de produtos e negócios variados no Brasil.

Atualmente, sua principal ativação por aqui consiste na NBA House, instalada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP) e que ficará aberta ao público até o próximo dia 23.

Essa estrutura conta com parcerias com grandes marcas como Budweiser, ESPN, Gatorade, Hellmann’s, Ruffles, Sadia, Sustagen Kids, XP e Popeyes, que levaram diversas atrações à NBA House, as quais são repercutidas no perfil liga para o Brasil, no Instagram, que tem por volta de 3 milhões de seguidores.

As atrações não se restringem às experiências proporcionadas pelas marcas, mas incluem também rodas de conversa com personalidades do basquete, que abordam diversos temas. Neste sábado (15), o tema será a influência da NBA na moda. Já no domingo (16), o debate tratará do empoderamento feminino no esporte.

Outra atração consiste em Burnie, mascote do Miami Heat, realizando ações de entretenimento para os visitantes. A presença desse personagem nada tem de aleatória.

Na verdade, é parte de uma estratégia mais ampla de internacionalização, decidida pela NBA em conjunto com as demais franquias, que estabelecem mercados prioritários nos quais cada equipe poderá atuar.

Sediado na Flórida, estado que concentra uma das principais comunidades de imigrantes brasileiros, o Miami Heat é uma das franquias escolhidas pela NBA para ampliar a presença no Brasil, especialmente com produtos licenciados.

Caso, por exemplo, da linha de camisas infantis casuais da Braziline, lançada neste ano e que tem, além do Miami Heat, produtos licenciados de Boston Celtics, Brooklyn Nets, Chicago Bulls, Golden State Warriors, Los Angeles Lakers e Phoenix Suns.

Outra empresa que conta com produtos oficiais da NBA no Brasil é a Sestini, em um acordo que foi fechado há dois anos e contempla itens como mochilas, estojos, sacolas e malas de times como Boston Celtics, Brooklyn Nets, Chicago Bulls, Golden State Warriors e Los Angeles Lakers.

Já a Hellmann’s lançou, a promoção “Hellmann’s Hora H da NBA” em que, na compra de qualquer squeeze Hellmann’s, os consumidores poderão trocar pontos por prêmios colecionáveis, como tigelas, bandejas e pratos dos principais times da liga norte-americana de basquete. Entre as novidades para este ano estão as embalagens squeeze com o Miami Heat e o Denver Nuggets.

Popeyes aposta em relação orgânica com NBA

Fundada em 1972, na cidade norte-americana de Nova Orleans, na Lousiana, a rede de restaurantes de frango frito Popeyes aposta em sua relação orgânica com a NBA para avançar no mercado brasileiro.

A marca, que atualmente é uma subsidiária da Restaurante Brands Internacional (dona do Burger King e que tem como principal acionista da brasileira 3G Capital), chegou ao país em 2018, com perspectivas de crescer junto ao consumidor local.

“O frango é a proteína mais consumida do país”, explica o gerente de marketing e inovações do Popeyes, Caio Queiróz, que concedeu entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, para explicar sobre a estratégia dos investimentos esportivos feitos pela marca.

Um ano depois de sua chegada ao Brasil, a empresa lançou seu sanduíche de frango, que caiu no gosto do público. Mas então veio a pandemia da Covid-19, que resultou no fechamento dos shoppings, locais onde estavam instalados os restaurantes da rede. “Foi um baque muito grande”, reconhece Caio.

Com o fim da fase crítica da pandemia e a retomada das atividades econômicas, o Popeyes reiniciou seu movimento de expansão no Brasil. “Hoje, estamos chegando a 90 lojas, sendo 85 próprias e cinco franquias”, explica.

Mesmo com o sucesso do sanduíche, a partir de 2021 a rede assumiu o desafio de fazer os clientes brasileiros se acostumarem ao consumo do frango frito, item extremamente popular nos Estados Unidos.

A marca chegou à conclusão de que o consumo pelo espectador do esporte poderia ser um caminho a ser explorado e optou por duas competições tipicamente norte-americanas, para colocar essa ideia em marcha.

Uma delas foi na NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, com veiculações no intervalo da transmissão feita pela RedeTV! do Super Bowl, em 2022, a primeira em sinal aberto feita no país, em duas décadas.

Além disso, Popeyes também adquiriu um pacote de inserções nos jogos da NBA, então exibidos pela Band. “O que vimos foi um retorno muito bom, não apenas em nossos parâmetros de marca, mas também resultados muito imediatos em nosso delivery. Conseguimos colocar promoções, sugerir formas de consumo. O que aprendemos em 2022 é que talvez o frango frito ainda não seja algo tão cultural para o brasileiro, mas o frango e o esporte são”, afirma Caio.

A partir dessa experiência, Popeyes resolveu analisar qual seria o território mais adequado para intensificar essa estratégia. E chegou à conclusão de que, no Brasil, esse terreno poderia estar na NBA. Vale lembrar que no mercado do Estados Unidos, por exemplo, a marca optou por anunciar no Super Bowl, veiculando comercial no famoso intervalo televisivo da grande final da liga.

“A NBA obteve um resultado de audiência muito bom no ano passado, no Brasil. E vimos que há uma proximidade cultural muito grande. Nos Estados Unidos, Popeyes é muito forte entre fãs e até jogadores da NBA. A marca entra organicamente na modalidade”, explica o gerente, que classifica o retorno desse investimento como “incrível”.

Sua primeira participação na NBA House foi no ano passado. Popeyes também lançou sanduíches e baldes colecionáveis de seis franquias, sendo três do Leste e três do Oeste.

Neste ano, a marca optou por usar a parceria com a NBA no Brasil para turbinar os itens da categoria frango frito. Além dos baldes que levam os símbolos e as cores dos times, foi desenvolvido um produto que consiste em minifilés, com molhos alusivos a Boston Celtics, Chicago Bulls, Los Angeles Lakers, Miami Heat, Denver Nuggets ou New Orleans Pelicans (que integra a lista pelo fato de ser da terra natal do Popeyes).

A escolha dos times foi definida em parceria com a NBA e levou em conta inclusive as grandes bases de fãs que algumas franquias possuem no país, casos de Boston Celtics, Los Angeles Lakers e Chicago Bulls.

“O fã da NBA quer muito que o esporte aconteça no Brasil e recebe bem o patrocinador, porque sabe que apoiamos o esporte de que ele gosta”, diz o executivo.

Fonte

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